quarta-feira, 16 de maio de 2007

RELACIONAMENTO ABERTO - por Danny Doo



RELACIONAMENTO ABERTO


“As índias lésbicas sexagenárias, são menos bizarras que nossa vil sociedade contemporânea”.

Estou lendo 2 livros ao mesmo tempo. Um deles “Lendo Lolita em Teerã” - de Azar Nafisi (esse me foi recomendado por um professor) fala de uma professora que vive em Teerã República Islâmica do Irã e compartilha experiências pessoais com alunas, através de literaturas em sua casa de forma clandestina, pois o regime não permite nenhum tipo de pensamento contrário ao padrão instituído.

O segundo livro (este eu já desejava ler a mais tempo) é: “ O nome da Rosa” de Umberto Eco, um dos mais importantes teóricos da comunicação de massa.

O mais engraçado é que conforme as leituras avançam, fui notando forte semelhança entre os livros.

Violências sexuais, conflitos religiosos e como uma das capas traz escrito: “...o nome da Rosa, uma parábola sangrenta e patética da história da humanidade”.

Isso tudo me pegou de surpresa!

Primeiro porque não fazia idéia que ambas literaturas tratassem de temas tão pesados.
Ambos os títulos me traziam uma idéia tão diferente da expressa no conteúdo.

O que isso tem a ver com o título da crônica “Relacionamento aberto”? Você deve estar se perguntando. A expressão”relacionamento aberto” a princípio parece algo... bonito não?

No livro “lendo Lolita em Teerã”, algo muito inusitado acontece. A professora e suas alunas que secretamente lêem o romance de Nabokov “Lolita”, desconstroem aos poucos a imagem predominante na obra, trazendo à tona questões preocupantes e até similares a realidade em que elas mesmas vivem por baixo dos véus. Pedofilia gerada por pessoas aparentemente “de bem” e vidas de meninas sendo destruídas. E como se não bastasse, o agressor além de abusar sexualmente distorce a realidade ao ponto de romancear o que na realidade se trata de estupro.

Pois é, assunto pesado.

Em “O nome da Rosa” o cenário (esse já ficcional) retrata algo bem similar mas agora tudo é vivido num mosteiro.

Em nossa sociedade ocidental temos vivido um novo conceito de relacionamento. Que ganha visibilidade através dos sites de relacionamento. Onde algumas pessoas divulgam explicitamente que tem um relacionamento aberto, ou melhor: é alguém que já tem um relacionamento (namoro, noivado, ou até casamento) mas que está disponível eventualmente para outros relacionamentos. E isso se estende para o campo real ultrapassando a propaganda virtual. É uma realidade antiga, mas agora escancarada.

Como diria minha avó: “Na minha terra isso tem outro nome”. E é palavrão...

Esses dias, perguntei a um professor (de jornalismo) em que momento podemos dar opinião (em textos). Já que em reportagem geralmente o texto deve ser objetivo e sem a opinião do jornalista. Enfim... Descobri que posso fazê-lo através de crônicas e artigos. Coisa que amo! Deu para notar não é... (risos).

Algumas pessoas publicam o que pensam, mas usam pseudônimos. Eu prefiro que saibam minha posição em relação a algumas coisas, pois além de me conhecerem melhor, não corro tantos riscos de receber propostas que terei de recusar. Outra coisa bacana de saberem que o texto é seu, é que você fica com a consciência mais leve...

Mas não podemos ultrapassar o limite do bom senso e nem do senso de perigo.
Botar o dedo na cara de bandido é pra gente muito confiante, tô fora. Tenho teto de vidro, e não peito de aço...
E a única bala que gosto de ver de perto é jujuba... e da colorida!

É apenas um texto para reflexão...

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