sexta-feira, 22 de junho de 2007


TV PÚBLICA

21/06/2007 Auditório da Faculdade Pinheiro Guimarães

com: prof. Paulo Garritano

convidados: Lavínia Ferrolho – TVE
Cristiano Menezes – Radiobrás


TV Pública no Brasil: Um projeto real, ou uma TV Estatal disfarçada?

Por Daniela Duarte

Cristiano Menezes (Radiobrás) tem sérias dúvidas de que a TV que estão querendo implantar no Brasil com o nome de Pública seja realmente pública e não uma TV Estatal maquiada. Já Lavínia Ferrolho da TVE pensa diferente. Como uma integrante da Comissão que discute como deverá ser formatada essa TV aqui no Brasil, vê a possibilidade de uma TV mais democrática, voltada à cultura, educação e projetos de qualidade.

O que se questiona é como será possível uma TV Pública que tem suas bases administrativas no governo. O correto seria uma TV cujos recursos partissem da iniciativa privada somando-se ao governo, tanto administrativa quanto economicamente.

E paira no ar a dúvida quanto a autonomia que os profissionais terão ou não atuando nessa TV. Pois existe hoje uma briga para que a cabeça de rede permaneça na cidade do Rio de Janeiro e não em Brasília.

A comissão (formada por jornalistas e profissionais de comunicação) que se engaja na busca de uma TV mais democrática, ainda é otimista e acredita que será perfeitamente possível manter uma fusão equilibrada, “a comissão discute o que será essa TV”, afirma Lavínia. Por outro lado, Cristiano Menezes indaga: “eu questiono o nome “Pública”, ela não pode ser do governo, tem que ter uma diretoria administrativa desvinculada do mesmo como é a BBC”.

A principal dúvida que paira no ar é se a TV Pública será regionalizada, ou se as pautas virão de Brasília perdendo-se o foco no cidadão e gerando uma suspeita de TV Estatal pura e simplesmente.

Lavínia retruca: “A intenção é que a presidência e o conselho administrativo não tenham vínculo nenhum com o governo, para haver uma continuidade e sem influências políticas” e frisa, “essa é a intenção”. Mas quando perguntada pela aluna Fabíola Mattos sobre como será a articulação de acordos sem o trânsito livre no senado, partindo-se da premissa de desvinculação ao poder público; Lavínia não pôde dar respostas completas.

Paulo Garritano acrescenta: “O governo é proibido de dar concessão a ele próprio, segundo a legislação”, então o temor é justamente o de se criar uma TV com o nome “Pública”, de essência Estatal.


Boatos – Conversa no avião

Dizem por aí que o embrião da idéia de uma TV Pública no Brasil, teria surgido num avião onde estavam presentes: Lula e Sarney no ano de 2004. E Sarney teria dito a Lula: “o Chavez está fazendo uma TV para a América Latina, com intenção de ocupar o espaço igual a CNN, você precisa fazer o mesmo!” E Lula teria respondido: “Vou falar com o pessoal da RadioBrás!” E financiar o projeto pelo Itamaraty.

E a dúvida paira no ar!


Cristiano faz um breve histórico sobre o trabalho e a política na Rádio Nacional (onde trabalhou por vários anos).

Cristiano Menezes foi convidado recentemente pelo governo Lula à participação na revitalização da Rádio Nacional. Um projeto firmado entre o governo e a Petrobrás, onde foram investidos 2 milhões e 400 mil em realizações de projetos, equipamentos, obras etc.

Atuou na Rádio (um ícone na história) quando a mesma ainda era a maior rede de comunicação do Brasil. Consolidando a cultura popular, a rádio Nacional atravessou décadas. A captação dos recursos era feita por meio de anúncios que eram reinvestidos em melhorias e expansão. Foi uma das 5 maiores do mundo e segundo Cristiano, poderia ser hoje uma BBC, pois o objetivo era se tornar uma TV Pública. Idéia que foi abortada na época por Juscelino Kubitschek por suposta pressão de Chateubriand.

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